Médicos Solidários

Um Brasil diferente será resultado, apenas, do surgimento de brasileiros diferentes.

Omitir-se, aguardando um “salvador da pátria” que nunca virá ou desistir do País, tratando de cuidar de si, em detrimento do lugar onde se vive e das pessoas que o compartilham têm sido as regras no Brasil. O resultado é conhecido: injustiça social, péssimos serviços públicos, demagogia e muita, muita corrupção.

“Novos brasileiros” são aqueles que adotam uma nova atitude, diferente dessas. Assumir a responsabilidade pela própria vida e pelo atual estado de coisas na família, na Cidade, no País aos quais se pertence, ao invés de se atribuir a culpa pelos problemas a outros, é necessário e urgente.

O Brasil não irá mudar “de cima para baixo”. Não surgirão políticos diferentes, enquanto não formarmos eleitores diferentes. Felizmente, conforme tem sido veiculado por esse Blog e, ao contrário do que o noticiário diário sugere, aqui e ali, vêm surgindo focos de mudança de mentalidade e de atitude. Gente que não adere à filosofia equivocada do “levar vantagem em tudo” e que compreende que “é impossível ser feliz sozinho“.

Médicos Solidários

“… Tudo caminhava como ele havia sonhado. O consultório tinha uma ótima clientela, a vida estava estruturada, mas o médico homeopata e acupunturista Hélio Holperin, hoje com 48 anos, não se sentia realizado.

O fato de só algumas pessoas terem acesso àquele atendimento me incomodava profundamente“, conta.

Em 1990, ele decidiu fechar uma vez por semana seu consultório no Jardim Botânico, cruzar a Avenida Brasil e atender de graça no modesto ambulatório da favela Marcílio Dias, no Complexo da Maré. “O nível de gratidão daquelas pessoas, quando percebem que você está ali sem nenhuma obrigação, só por causa delas, é comovente“, descreve ele, atual presidente da ONG Médicos Solidários.

Ela reúne 120 profissionais de saúde, de 23 especialidades, que prestam serviço em cinqüenta bolsões de pobreza do Rio.

Além do atendimento na favela, Holperin vai toda sexta à sede da ONG, no Centro, para trabalhar na captação de recursos e no gerenciamento de projetos. “Esse trabalho mudou a minha vida“, diz. “Não dá para ficar inerte vivenciando de perto o sofrimento…”

A Organização Não-Governamental “Médicos Solidários” é uma instituição “… sem fins lucrativos, fundada por voluntários que prestam assistência gratuita à saúde a pessoas com dificuldade de acesso aos serviços públicos…”.

Foi a mesma fundada em 2001, “… dando continuidade às ações do projeto Médicos Solidários, uma iniciativa da ONG humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras, criado em agosto de 1998…”.

Sua missão é trabalhar em prol da universalidade do direito à saúde. Para tanto, aposta no VOLUNTARIADO, causa e conseqüência  dos princípios de Solidariedade, Dignidade e Inclusão Social.

Na prática, a Ong atua de forma simples e direta: o atendimento se dá, principalmente, nos consultórios dos próprios médicos voluntários. O que proporciona praticidade, além de conforto para eles e os usuários. De acordo com o site da organização: “… a intermediação entre voluntários e beneficiários é feita por uma Central de Atendimento.

O número de voluntários e, conseqüentemente, de atendimentos, é crescente. Enquanto o Poder Público não cumpre a Constituição e assegura Saúde Pública gratuita e de qualidade para TODOS, há profissionais da área que vêm fazendo sua parte.

Transcrevemos, a seguir, matéria publicada no jornal “O Dia“, do Rio de Janeiro, em 03 de outubro de 2010, sobre a “Médicos Solidários“:

“… Depois da paz, saúde. Comunidades pacificadas já começaram a receber a ajuda dos ‘Médicos solidários’, ONG criada a partir de um desmembramento da ‘Médicos sem Fronteiras’. O Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, é o primeiro a receber o projeto SorriGente — de atendimento clínico, odontológico e social em creches. A próxima parada será no abrigo Tereza de Jesus, no Maracanã. A meta é realizar 8.500 atendimentos gratuitos este ano e 10 mil em 2011.

Cerca de 180 crianças da creche Solar Meninos de Luz, na Ladeira Saint Roman, que dá acesso ao Pavão-Pavãozinho, são as primeiras a contar com exames de saúde gerais e oftalmológicos, além de restauração dentária e acompanhamento de uma assistente social.

“O trabalho interdisciplinar nos dá um panorama global da criança. Um problema de saúde pode estar atrelado a condições específicas daquela família”, explica o médico Henrique Peixoto, coordenador de Saúde do projeto.

Alívio

A chegada dos doutores trouxe tranquilidade para a auxiliar de Educação, Maria Lídia Costa, 40 anos. O filho, Christian, de 1 ano, passou por crises convulsivas e ela estava à procura de tratamento alternativo. “Agora vou conseguir tratá-lo com florais. Eles também vão acompanhá-lo”, comemorava, aliviada. “Precisava de oftalmologista e consegui consulta rápida e de qualidade”, contou o auxiliar de serviços gerais, Erivelton da Silva, 25 anos.

“Por mais que haja informação, aprendemos que a realidade é muito diferente nas áreas mais carentes. Consigo ter uma visão mais abrangente aqui”, conta o estudante do 8º período de Odontologia da UFF, Felipe Leal, 23, voluntário que atua no grupo.

Cadastro

Embora não seja exclusivo para as UPPs, a coordenadora do SorriGente, Eliane Vallim, explica que o trabalho dos profissionais é facilitado em regiões pacificadas. “Já atuamos em muitos locais sem UPPs, mas elas nos trazem uma série de fatores que auxiliam nossas atividades”, justifica. Somente as 40 instituições cadastradas, entre creches e ONGs, podem solicitar o serviço.


Atendimento grátis em 130 consultórios

O atendimento, iniciado mês passado, passa por diversas etapas. Primeiro, os profissionais coletam dados dos pacientes, como condições físicas e psicológicas. Em uma segunda fase, agendam exames clínicos e entrevistas com os responsáveis pelas crianças.

“Em casos que necessitam de acompanhamento a longo prazo, encaminhamos as famílias para um dos 130 profissionais da nossa rede de voluntários, em consultórios particulares”, esclarece a assistente social, Rachel de Oliveira…”

… E toda a Raça então experimentará, para todo mal, a Cura…

http://www.youtube.com/watch?v=8FdQLyYf1qY&feature=related

Fontes

- Médicos Solidários;

http://www.medicossolidarios.org.br

- Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, Arts. 6o e 196;

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm

- Artigo: “O Direito à Saúde, à Luz da Constituição Federal“;

http://www.webartigos.com/articles/21909/1/O-Direito-a-Saude-a-Luz-da-Constituicao-Federal/pagina1.html

- Revista Veja Rio

http://vejabrasil.abril.com.br/rio-de-janeiro/editorial/m213/corrente-solidaria

- Juramento de Hipócrates

http://pt.wikipedia.org/wiki/Juramento_de_Hip%C3%B3crates

- O Dia On Line

http://odia.terra.com.br/portal/rio/html/2010/10/medicos_solidarios_levam_saude_a_favelas_114088.html

Eleitor Consciente

Durante o período de eleições lemos e ouvimos da parte de um número crescente de pessoas queixas quanto aos rumos do País e à péssima qualidade dos governantes – geralmente corruptos, mentirosos e incompetentes. A maioria desiste: “Não irei mais votar”, “O Brasil não tem jeito” etc.

Em primeiro lugar, devemos admitir que O GOVERNO É REFLEXO DA SOCIEDADE QUE O ELEGE. Os políticos – acredite – não vêm de outro planeta: saem do seio da sociedade. Logo, para que a qualidade dos ocupantes de cargos públicos mude para melhor é necessário que a qualidade do eleitor melhore.

O pior problema do eleitorado brasileiro é a falta de educação. Não se trata apenas de grau de instrução. Mas de falta de informação e de acesso à informação. O Brasil tem dimensões continentais. A Educação Pública é deficiente e boa parte da população sequer conhece a estrutura do Estado Brasileiro. Não sabe o que é e para que serve a Constituição. Não sabe para que servem Vereadores, Deputados, Senadores… E o que é pior: é alheia à noção de coisa pública.

Não se trata de problema recente. Muito menos de algo que se possa modificar de imediato. No entanto, é possível mudar, de forma que os resultados dessa transformação sejam sentidos, senão por nós, pelos nossos filhos e netos. Para tanto, devemos começar já.

O que fazer?” – muitos se perguntam. Só existem duas formas de ocorrer uma alteração no quadro atual: a dirigida e a espontânea. Uma mudança dirigida aconteceria caso o Poder Público estabelecesse como meta de governo o investimento em Educação, em sentido amplo. A formação de cidadãos críticos, conscientes e capazes para a futura geração, através de uma escola pública e gratuita de qualidade. Ele, o Poder Público, o “Governo” conduziria esse processo. Isso, contudo, não aconteceu. Não está acontecendo. E, ao que tudo indica, não irá acontecer. Aparentemente, interessa ao Poder Público a manutenção da maior parte da população na dependência e na ignorância. A alternativa que resta é a mudança espontânea. Significa a mudança natural, a partir do aprendizado quotidiano da sociedade, através da tentativa e erro. Acontece. Mas demora. Décadas. Gerações. Parece ser nosso caso.

Vou repetir a pergunta: o que fazer, então?” – simples. Assumirmos, dentro de nossas limitações, o papel que deveria caber ao Poder Público na informação a todas as pessoas sobre aquilo que é de seu interesse.

Se todos os brasileiros que dispõe de educação e meios suficientes se prestarem a isso: levar informação a quem não tem – estaremos contribuindo acelerando o processo de aperfeiçoamento de nossa sociedade.

Às vésperas das eleições que indicarão os futuros Presidente da República, Deputados Federais, Deputados Estaduais e Senadores, publicamos roteiro que visa a auxiliar na escolha consciente de nossos representantes.

ESCOLHA CONSCIENTE

1º Passo) O Cargo: antes de escolher dentre todos os candidatos disponíveis aquele que, em sua opinião, deverá ocupar um determinado cargo, é necessário compreender qual seja esse cargo: quais suas atribuições e importância. Quem são e o que fazem: Vereador, Prefeito, Deputado Estadual, Deputado Federal, Governador, Senador e Presidente da República?

2º Passo) As Propostas: no que se refere aos candidatos em si, antes de tudo devemos ter em mente que o que iremos escolher não será propriamente uma “pessoa”. Mas um projeto. Assim, o que é mais importante saber, no processo de escolha de um candidato? Suas propostas para o exercício do cargo que ele está postulando. Esse primeiro passo, embora básico, é fundamental. E, por incrível que pareça, ajuda a eliminar, de pronto, boa parte dos candidatos. Por que muitos:

(1)    não têm propostas ou;

(2)    propõem realizações que não são compatíveis com o cargo que almejam. Um vereador, por exemplo, que promete “fiscalizar o Governador”, é ignorante (desconhece o cargo para o qual está se candidatando) ou mentiroso (está tentando se aproveitar do eleitor desinformado). Porque essa função não cabe aos Vereadores.

Suas propostas devem ser:

(3) de acordo com nossas próprias idéias e, principalmente;

(4) viáveis. Um candidato que promete – seja qual for o cargo para o qual concorra – “acabar com a violência” em determinado lugar é também ignorante ou mentiroso. Porque o problema da violência é complexo e sempre existiu. Reduzir a violência é possível, como mostram países mais desenvolvidos. “Acabar com a violência”, não.

Além disso, as propostas dos candidatos devem ser:

(5) específicas. Como assim? Dizer: “irei lutar pela Educação” é fácil. E nada quer dizer. Lutar como? Fazendo o quê? O candidato deveria dizer: “irei lutar pela Educação, propondo aumento de salário para os professores para X, concurso público para ocupar as vagas existentes na Rede Pública” etc.

Manter contato com o candidato é cada vez mais importante. Ele tem endereço eletrônico? Ele fará uma palestra? Ele aceitaria convite de sua associação de moradores, clube etc.; para expor suas idéias e para responder a perguntas? Excelente! Se você ou o grupo do qual você participa tem a possibilidade de encaminhar propostas ao candidato e obter dele uma posição a respeito delas, aproveite. É assim que deve ser. As idéias do candidato são o que importa. Não sua aparência, idade etc. Não estamos escolhendo um par romântico, um amigo ou o técnico de seu time do coração;

3º Passo) A Coerência: Cientes das idéias dos candidatos, devemos então analisar sua coerência. A correspondência entre o que ele fala e quem ele é. Como assim? Falar é fácil. Mas para saber se o projeto que o candidato apresenta tem chance de ser concretizado por ele, devemos considerar dois pontos:

(1)    seu currículo e;

(2)    seu perfil.

Como assim? Qualquer pessoa que preencha os pré-requisitos legais pode candidatar-se a um cargo eletivo. E todo o tipo de pessoa costuma fazê-lo. Boa parte não está bem intencionada. Mas, considerando apenas aqueles que têm boas intenções, mesmo esses se dividem em dois grupos: aqueles que SÓ têm boas intenções (e nenhuma condição de transformá-las em realidade) e aqueles que demonstram preparo para fazê-lo.

O “currículo” do candidato refere-se ao seu passado, tanto no ambiente público quanto no privado. Ele já ocupou algum outro cargo eletivo? Quando? Qual? O que ele fez durante o exercício desse cargo? Quais eram suas propostas? Ele as concretizou? Lutou por elas?

E em sua vida particular? Qual seu “perfil”? Qual sua profissão? Qual seu grau de instrução? Trata-se de alguém bem-sucedido no que faz? Bom profissional? Responde a processos?

Conhecer o currículo e o perfil de um candidato é fundamental. Alguém, por exemplo, que foi um fracasso no exercício de seu último cargo eletivo se sairia melhor agora? Alguém que responde a processo judicial ou que já esteve preso ou que está endividado etc.; seria a pessoa indicada para cuidar da aplicação do nosso dinheiro? Outro ponto importante para avaliar a coerência de um candidato é verificar quem está ao seu lado. Se um candidato está sendo apoiado por pessoas que não merecem nossa confiança, desconfie dele. Aquelas pessoas estão apoiando o candidato por algum motivo. Qual seria?

4º Passo) O Voto Consciente: depois que conhecermos o cargo ao qual estão se candidatando; que conhecermos as idéias do candidato. Que analisarmos se estão de acordo com as nossas idéias. Se são viáveis e compatíveis com o cargo pretendido. Que soubermos especificamente como ele pretende concretizá-las. Que verificarmos se ele tem conhecimento e experiência suficientes para defendê-las. E depois que nos certificarmos que as pessoas das quais o candidato está se cercando não comprometem sua credibilidade, estaremos prontos para escolher conscientemente.

IMPORTANTE:

  1. Nosso papel não se encerra com a escolha de um candidato. Após as eleições, seja qual for o candidato eleito para determinado cargo – aquele em que votamos ou não – devemos fiscalizá-lo. Será um tanto trabalhoso. Mas de nosso interesse. Como podemos fazer isso? Conhecendo suas propostas, feitas no período de campanha e conferindo se ele está trabalhando para concretizá-las. Além disso, é de nosso interesse saber se ele cumpre seu horário de trabalho. Se ele faz uso de mordomias. Se ele utiliza o poder e a influência que nós lhe confiamos na defesa dos interesses da população. Ou na defesa de seus próprios interesses… Atualmente, fiscalizar os ocupantes de cargos públicos tornou-se mais fácil. A Internet, a TV e os jornais nos dão acesso a todas essas informações. Muito útil seria anotar de alguma forma os deslizes dos políticos. Isso mesmo! Anote as notícias que lhe chamarem a atenção a respeito dessa pessoa. Amanhã, nas próximas eleições, não votaremos neles. E mais: relembraremos aos demais eleitores daqueles erros cometidos no último mandato;
  2. O último ponto. Após as eleições, não precisamos nos limitar a fiscalizarmos os candidatos eleitosDevemos e podemos reagir diante de qualquer crime ou atitude condenável praticada por eles. Denúnciacampanhasações judiciaisnotificação aos órgãos fiscalizadores são algumas das atitudes possíveis por parte dos cidadãos.

Fontes

- Constituição da República Federativa do Brasil de 1988

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm

- Tribunal Superior Eleitoral

http://www.tse.gov.br/internet/index.html

- Câmara dos Deputados

http://www2.camara.gov.br/

- Senado Federal

http://www.senado.gov.br/

- Transparência Brasil

http://www.transparencia.org.br/index.html

- Brasil Escola

http://www.brasilescola.com/politica

- Vote na Web

http://www.votenaweb.com.br/

- Cidade Democrática

http://www.cidadedemocratica.com.br/

Contra ou A Favor?

Sempre que nos deparamos com alguma notícia, dando conta da soltura – após, no máximo, 3 (três) anos – de indivíduo que, com menos de 18 (dezoito) anos, praticou crime chocante lemos e ouvimos, por toda parte, comentários irados, pedindo a imediata revogação da Lei No. 8.069/90: o “Estatuto da Criança e do Adolescente” (ECA).

Alega-se que a Lei “só serve para proteger pequenos marginais“.

A discussão volta à tona, com a divulgação de que o menor envolvido no crime brutal que vitimou nosso pequeno João Hélio, em 2007, estaria “voltando às ruas” (após os famigerados 3 anos); com a possibilidade de “receber auxílio, sem qualquer contra-partida (estudar, trabalhar)” e, até mesmo, de “ser transferido para o Exterior“. Mudança de identidade não está descartada. Afinal, teria recebido ameaças de morte, durante o período de internação. O que não é de surpreender, diga-se.

Então esse moleque assassina barbaramente uma criança; permanece apenas três anos “preso“… E, ao sair, além de receber pensão (!?) ainda “corre o risco” de ir para o Exterior???

A partir de tais constatações, muitos – e cada vez mais – defendem que “a família da vítima mande matar o responsável… Já que o Estado não pune, punimos nós“. As mesmas vozes, já de há muito, pedem que as forças policiais não prendam, mas “eliminem os bandidos“, quando de confrontos (“se forem presos, o Judiciário solta“).

Durante a discussão, ainda é mencionado o “Auxílio-Reclusão“. Um benefício previdenciário, destinado a famílias de baixa renda, cujo mantenedor cumpre pena privativa de liberdade (está preso).

O instituto não tem relação com o ECA. Mas, assim como a política de cotas nas Universidades e as “bolsas” (Família, Escola etc) concedidas pelo Executivo, é apontado como mais um instrumento eleitoreiro, a serviço da injustiça e da impunidade.

Não há dúvidas. Como diria Caetano Veloso: “alguma coisa está fora de ordem“. Mas, o quê?

Em meio àqueles que defendem e atacam incondicionalmente cada um desses instrumentos (cotas, bolsas, ECA, auxílios etc), nos vemos forçados a escolher apenas entre uma dessas duas posições – “Bem x Mal“.

A vida, como se sabe – ou se deveria saber – no entanto, não é tão simplista. Entre o preto e o branco, há uma infinidade de matizes. E é difícil apontar algo que seja totalmente “bom” ou “mal”.

Na série: “Contra ou a Favor”, procuraremos trazer textos que apresentem cada um desses polêmicos instrumentos. As posições favoráveis e desfavoráveis, com seus principais argumentos. E a nossa própria opinião a respeito.

A intenção não será a de convencer a “apoiar” ou a “opor-se” a qualquer deles. Será, antes, a de proporcionar informação (básica), para que cada um forme sua própria convicção.

São temas que dizem respeito a cada um de nós. É importante, por isso, que, a partir dessas, básicas, busquemos outras leituras (iremos indicar alguma coisa), que aprofundem nosso conhecimento. E que levemos essas discussões adiante: aos nossos amigos; à nossa família; aos nossos jovens…

Comentários, críticas, OPINIÕES e sugestões serão, como sempre, muuuuuito bem-vindos.

Dado o oportuno da situação, começaremos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (até porque, eles têm preferência, não é?)…

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Obs:

Fontes:

- acesso343.blogspot.com (imagem);

- bitolhumana.blogspot.com (imagem);

- saomartinho.org.com (imagem);

- sinpro-es.org.br (imagem);

- josue-moura.blog.uol.com.br (imagem);

- adur-rj.org.br (imagem);

- http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/02/18/um-dos-assassinos-de-joao-helio-solto-participa-de-programa-de-protecao-menores-915889219.asp;

- http://www.observatoriodaimprensa.com.br/blogs.asp?id_blog=3&id={83F640B2-BFE7-4AA3-A0A9-9CA4CB8C6770};

- http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=577JDB003;

- http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8069.htm;

- http://jusvi.com/artigos/41334;

Polícia Exemplar

À direita, o Sargento Maurílio

Rondônia. Norte do Brasil. Setembro de 2009.

O Sargento da Polícia Militar do Estado, Maurílio, percebe uma bolsa próximo à ponte no final da rua Jamari. Nesta, mais de R$ 4 mil, além de documentos. Imediatamente,  contacta a Central de Operações do 3º Batalhão, dando conta do ocorrido. Permanece no local até a chegada da viatura que faria as necessárias diligências para encontrar o dono do dinheiro.

Não é ficção.PM de Rondônia, em Desfile de 7 de setembro

O dono do dinheiro tratava-se de Hidelberto Pinto de Sousa, chefe de Posto da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) que, ao cruzar uma ponte, deixou cair a bolsa, que levava amarrada à garupa de sua moto, contendo R$4.350,35.

Segundo Hidelberto, o dinheiro pertencia aos índios aposentados da aldeia Tubarão, próxima à cidade de Chupinguaia. Seria utilizado para realizar o pagamento mensal em um mercado naquela cidade, onde os índios fazem compras.

Segundo o Servidor da FUNAI: “o gesto do sargento foi digno de uma pessoa honesta e de caráter indubitável, pois nos dias de hoje é difícil encontrar pessoas que ainda possuem o amor pelo próximo para agir com tanta dignidade ao devolver mais de R$ 4 mil encontrado em um setor chacareiro”.

O Tenente-Coronel PM João Moreira Bonfim realizou o encontro entre  o Sargento Maurílio e o Servidor Hidelberto, quando este último parabenizou a conduta do policial e elogiou o oficial pela tropa idônea que comanda.

Em recente pesquisa local, acerca da credibilidade da população na polícia, e o resultado foi positivo, citando que os policiais do 3º BPM são cordiais e aplicam a Filosofia da Polícia Comunitária.


A Polícia Militar é instituição constantemente alvo de críticas por conta dos incontáveis episódios que apontam para corrupção na corporação, despreparo e truculência por parte de seus compenentes e falta de credibilidade junto à Sociedade.

08_MHG_rio_professores

É fundamental não perder de vista que o País é continental e  que cada Região apresenta uma realidade diferente. Tais acusações, todavia, são comuns nas grandes Metrópoles brasileiras. Recentemente, no Rio de Janeiro, um soldado da PM sacou e apontou arma para manifestante, durante protesto de Professores, em frente à Assembléia Legislativa. Operações nas favelas, não raro, vitimam inocentes, sobretudo crianças. Denúncias de abuso de poder, participação em grupos de extermínio e formação de quadrilha são constantes. E é comum que o cidadão evite a Polícia tanto quanto o faz com os bandidos. Justamente por não ver entre estes muita diferença, com exceção ao uso da farda.


São fatos. Por outro lado, exemplos como o descrito acima, fazem pensar. É necessário distinguir entre a instituição e os homens que a integram. E, dentre estes, entre os bons e os maus Policiais.



Para definir o que é (ou o que deve ser) a Polícia Militar, devemos verificar quais as suas atribuições legais. De acordo com o Art. 144, § 5o da Constituição Federal: “às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública”.


Além dessas e do combate ao crime organizado, há outras, dificilmente associadas à PM:

  1. atendimento direto à população, ajudando no transporte de doentes, na orientação de pessoas em dificuldades, na intervenção de disputas domésticas, no encaminhamento da população carente aos órgãos responsáveis por problemas de saneamento, habitação;
  2. preservação da flora, da fauna e do meio ambiente, através de batalhão especializado;
  3. apoio a órgãos públicos, estaduais e municipais, em atividades como ações junto à população de rua e trato com crianças e adolescentes em situação de risco social etc…

Uma instituição com essa missão parece inestimável.

PM de MG

O que justifica, no entanto, tamanha distância entre teoria e prática? Entre aquilo a que se propõe a instituição e sua ação na prática? Apesar da censura, inúmeros blogs de Policiais denunciam as péssimas condições de trabalho. A Imprensa e outros órgãos públicos ou privados que se dedicam à questão, costumam apontar a falta de preparo e a inadequação das políticas de segurança pública, geralmente pautadas pelo enfrentamento e pela cultura da morte


Para o 1o Tenente da PM do Estado de São Paulo, Martinho de Moraes Netto, sobre violência e impunidade na PM e, a propósito do Relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, deve-se admitir que: “… cada organização policial é peculiar da comunidade em que está inserida, não se podendo avaliar o instituto “Polícia Militar” pela somatória de dados das diversas milícias estaduais, nem comparar o nosso modelo de polícia com o de outros países… A atividade de polícia está… ligada às condições socio-econômicas-culturais de… onde se desenvolve…“.

Para o oficial, compreender o problema passa por analisar, em cada Região, quem é o Policial; quem são os cidadãos destinatários da atividade e; quais os delitos comuns no local. O Policial será, em regra, alguém da comunidade, com os mesmos hábitos e costumes. Quanto ao cidadão, o mesmo apresenta umperfil diferente, de acordo com o Estado. Os delitos também mudam, de acordo com a Região e com o segmento social.

Ação policial em favela...

A despeito da pertinência da colocação, parece ser um problema comum à Polícia em cada Estado, a falta de investimento. Em sentido amplo. Falta de investimento na Polícia e no Policial. Salários ridículos, falta de equipamento, baixa tecnologia, falta de planejamento estratégico, exposição de si e da família, falta de auto-estima, distanciamento da população e péssimos exemplo/influência da autoridade superior (indicações politiqueiras para cargos de comando e corrupção) comprometem e tornam vulneráveis a Polícia e os Policiais. O resultado é a presença de marginais em suas fileiras e o descrédito junto à população.

É possível

Cabe aqui uma reflexão quanto à necessidade de contarmos com uma Polícia de verdade. Capacitada, eficiente, confiável e exemplar. À inutilidade de simplesmente desistirmos da instituição e, principalmente, ao dever de pesquisar, debater, sugerir e cobrar medidas que contribuam para prestigiar e fortalecer o bom Policial e banir o bandido-fardado…

  1. http://www.pm.ro.gov.br, Site da PMRO, “Sargento dá exemplo de honestidade”;
  2. http://www.policiamilitar.rj.gov.br, Site da PMRJ;
  3. http://www.comunidadesegura.org/fr/MATERIA-Piso-unico-e-melhores-condicoes-de-trabalho;
  4. http://celprpaul.blogspot.com/2009/10/policial-militar-assassinado-o-rio-de.html;
  5. http://www.hottopos.com/videtur4/policia.htm, “Violência e Impunidade da Polícia Militar – Críticas e Sugestões”;
  6. http://portalimprensa.com.br/portal/ultimas_noticias/2009/10/01/imprensa31148.shtml;
  7. http://noticias.uol.com.br/ultnot/agencia/2009/04/10/ult4469u39821.jhtm;
  8. http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI2998067-EI6578,00-Rio+vive+situacao+incontrolavel+afirma+Biscaia.html
  9. http://extra.globo.com/geral/casodepolicia/video/2009/14295/

Dinheiro & Felicidade

Adriano, em sua reapresentação ao Flamengo

Sim. A foto é de Adriano, jogador profissional de futebol.

Não. O texto não é sobre futebol. Sobre o Flamengo. Ou mesmo sobre toda a trajetória do atleta. Embora todos mereçam.

Após oito anos na Europa, então titular de um dos clubes mais ricos dCrise: alcoolismo, noitadas, depressão e queda de rendimentoo mundo, com contrato milionário, fama internacional e  com uma vida por muitos considerada ideal, Adriano abandonou a carreira. Alegava “desmotivação“. A perda do pai, no período que antecedeu sua decisão, agravou o quadro que culminou em apatia, alcoolismo e aumento de peso.

Despedida precoce do futebolO grande atacante, apelidado pelos torcedores da Internazionale de Milão – sua equipe – de “Imperador”, em alusão ao líder romano homônimo – pouco a pouco, deixava de existir. Cedia lugar a alguém cuja insatisfação criava uma realidade cada vez mais desfavorável.

Carreira encerrada, eis que sobrevem a notícia: “Adriano retomará a carreira, jogando pelo Flamengo, clube que o projetou“… Perplexidade. Como é possível que um atleta profissional abandone o “Primeiro Mundo“, a “civilização européia” e abra mão de US$ 14.000.000,00 (quatorze milhões de dólares) que ainda viria a receber, caso prosseguisse na equipe italiana, para jogar no Brasil (!?), no violento Rio de Janeiro (!!??) e no financeiramente combalido Flamengo (!!!???); pasmem: ganhando menos!?

A justificativa do atleta: “reconquistar a felicidade“. O jogador voltou a frequentar a “Vila Cruzeiro“, favela na qual deixou vários amigos. Está perto de sua família e recentemente declarou que pensa em encerrar a carreira no clube brasileiro, em quatro anos. Ou seja, não pretende, a priori, retornar ao exterior.

"Imperador" na Favela

… não adianta sair e ficar infeliz para onde for. Posso ficar até o fim da carreira, para sempre mesmo, quem sabe?

Hoje, quase seis meses depois de seu retorno, “o Imperador voltou“. Grandes atuações, gols, novas convocações para a Seleção Brasileira como reflexos da retomada da boa forma e da mudança de atitude. A pessoa de bem com a vida voltou.

Adriano em churrasco na Vila Cruzeiro, com amigos

Hoje estou muito feliz. Conquistei essa felicidade, que eu tinha perdido, muito rápido, porque fiquei ao lado dos meus amigos, da minha família, dos meus filhos. Quando você está no seu País, e cercado de pessoas que querem o seu bem, isso acontece muito rápido…

O dia de amanhã, ninguém sabe. Será marketing? Uma estratéia para retornar à Seleção? Custa a crer, considerando que, na Europa, onde atuava, Adriano já dispunha de visibilidade e status de sobra.

Seja como for, independentemente do que vier a ocorrer, o episódio faz refletir sobre temas que interessam a todos nós: felicidade, dinheiro, coragem para mudar, senso comum…

Todos queremos dinheiro. Mas dinheiro não é fim. É meio. Meio de termos acesso à qualidade de vida. O que, no Brasil, infelizmente, só está ao alcance de quem tem poder aquisitivo. Entretanto, quanto dinheiro é necessário para nosso conforto? Todo o dinheiro que existe? Mais do que qualquer um necessitaria? Há coisas essenciais à nossa realização, que o dinheiro não compra. E se dispendermos todo nosso (pouco) tempo acumulando moedas, terminaremos sem elas: família, amigos, fazer aquilo de que gostamos, lazer etc.

É necessário muito bom senso para chegar a tais conclusões. E muita coragem para, chegando, dispor-se a mudar. Contrariando a opinião da maioria e expondo-se à crítica generalizada.

Adriano ganhou muito dinheiro nos últimos oito anos. Para nossos padrões, é um homem muito rico. Mas tem apenas 27 anos de idade. Está no auge. E teria ainda outros tantos pela frente, para faturar lá fora.

MilãoVila Cruzeiro

Porém, o jogador trocou Milão pela Vila Cruzeiro. A Inter pelo Flamengo. A Europa pelo Brasil. Milhões de dólares por bem menos em reais.

E está feliz.

: )))

E nós? Estamos felizes onde nos encontramos? Como nos encontramos? Temos coragem de reconhecer, caso não estejamos, embora “devêssemos estar” e de mudar radicalmente, a despeito da opinião alheia?

Valeu, Adriano. Obrigado pelo exemplo. Que seja legítimo. Se for, seu lugar está desde já assegurado entre os brasileiros de todos os tempos, que contribuíram para o crescimento do Brasil, como País e de cada brasileiro, como pessoa…

- http://www.flamengorj.com.br, “Posso Ficar Até o Fim da Carreira”;

- br.noticias.yahoo.com, “Adriano volta ao Flamengo para “reconquistar felicidade”…“;

- Revista Flamengo, Ano I, No. I (matéria principal);

Rio 2016

Transcrevemos, a seguir, fantástico texto acerca da escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Assim como seu autor, compreendemos que a Rio 2016 pode representar mais do que um evento esportivo; oportunidade de aumento de prestígio por parte de políticos profissionais; ou de ganho econômico, para grandes conglomerados. Cremos que pode servir como um marco de mudança – para melhor – não somente para o Rio de Janeiro, como para todo o Brasil.

Como sempre, depende de nós.

Reproduziremos textos e divulgaremos links sobre o assunto, a fim de que possamos, cada um dos leitores, livremente formar opinião crítica sobre o assunto…

RIO 2016

Olhar pra frente. E olhar pra trás.

Agora que o papel picado já começa a ser recolhido nas ruas, e o sol já se pôs atrás da redentor (sic) acima da cidade, é tempo de entender o tamanho do que o Brasil conquistou.

Comemoração nas areias de Copacabana

Na próxima década, uma planetária lupa se aproximará do país – mais especificamente do Rio de Janeiro. Uma final de Copa do Mundo. Os Jogos Olímpicos.  O que o COI fez nesta sexta-feira de outubro em Copenhague foi marcar pênalti a favor do Brasil. Um imenso e impensável pênalti. Um pênalti claríssimo. É esse pênalti que o Brasil tem agora sete anos para cobrar. O problema é o goleiro. Quem é o goleiro?

Nelson Rodrigues escreveu certa vez que o brasileiro é um narciso às Rio 2016: selo baleadoavessas – pois adora cuspir em sua própria própria imagem. Quem se acostumou a freqüentar o Maracanã nos anos 80 e 90 – a patinar pelos rios de urina que corriam no anel de arquibancadas, entende profundamente a frase. O brasileiro é assim – adora reclamar do Brasil. Mas… na hora de melhorá-lo, bom, quem nunca furou um sinal (ou farol) vermelho?

A ironia é que o brasileiro é assim mesmo – adora falar mal do Brasil, e adora ser brasileiro. Vê alguém furando fila? Se indigna. Chega atrasado e tem uma brecha? Ah, só hoje. No fundo, odiamos e amamos essa malandragem ao mesmo tempo. E amamos porque acreditamos que ela nos traz uma vantagem ímpar. Ninguém sabe driblar como o brasileiro… ninguém sabe resolver as coisas difíceis como o brasileiro. Devíamos ter patenteado o jeitinho há 500 anos, claro.

Como sabemos profundamente que somos assim…  no dia em que conquistamos o direito de sediar uma Olimpíada, o brasileiro está feliz… e cético. Está comemorando, mas dizendo que “vão meter muito a mão”. Está orgulhoso, mas com pé atrás. É justo. Basta olhar para o passado recente. Os céticos dirão – não sem razão – que somos especialistas em superfaturamento com vara, em orçamento à distância, em 110m sem algemas e esportes afins. Dirão sobretudo que o não-legado do Pan de 2007 lança enormes nuvens sobre os jogos que virão. É verdade. Muito verdade.

Políticos

Quando o Rio ganhou o direito ao Pan,  promessas foram lançadas ao léu. E quase nada se cumpriu. A cidade ganhou dois ou três equipamentos de primeiro nível, alguma infra-estrutra em segurança, fez jogos sem violência… e só. Não houve despoluição da Baía da Guanabara. Não houve metrô para a Barra da Tijuca (nem para o nunca). Não houve TransPan. Houve, sim, uma denúncia de sobrepreço atrás da outra. O carioca se sentiu traído.

Perto de uma Olimpíada, o Pan custa um troco. A previsão brasileira para 2016 é, hoje, de R$ 25 bilhões de gastos. A experiência mostra que esse é apenas o ponto de partida. E é exatamente aqui que devemos parar. Parar e olhar, nacionalmente, para a frente.

Há 15, 20 anos seria impensável ver o Brasil sediando os dois maiores eventos esportivos do planeta. Mais que impensável, seria risível. O Brasil tinha uma democracia infantil, inflação galopante e pouca projeção planetária. Era uma terra exótica de onde veio o Pelé, repleta de traseiros, macacos e cobras. A capital se chamava Buenos Aires, o carnaval era um barato…  e pegando um táxi em Ipanema você desembarcava na Amazônia.

A vitória de hoje mostra que algo mudou. Hoje, o mundo já ouviu falar de São Paulo. Já ouviu falar de Brasília. Já não enxerga o Brasil como aquele nanico curioso que sabe jogar futebol.  O proverbial pais do futuro começa a olhar pra frente com confiança. Mas, para que isso funcione, é preciso – como diria Roberto Carlos – é preciso saber viver.

corrupcao

Sim, porque a corrupção continua saltitante e ululante. Assim como o jeitinho e seu subproduto mais vil – a impunidade. E decerto, em corredores e subterrâneos, há sinistras ratazanas salivando diante das oportunidades à frente. Mas esses bichos existem desde sempre – e existiram em todos os países. A questão, para o Brasil, é outra.

O Brasil precisa mudar por dentro. Precisa abolir suas regras surdas – precisa deixar de achar que conchavo e conversinha resolvem os grandes problemas. Precisa, em resumo, abolir o malandro. Do futebol à política, o Brasil valoriza a ginga e o drible. Mas quando um dribla… outro é driblado. Todo malandro precisa de um otário.  E, nesse particular caso, poucos são malandros, quase 180 milhões são otários.

Então, é uma proposta singela. Precisamos revogar a lei de Gerson*, parar de acreditar que o jeitinho é legal. É uma diferença sutil – a ginga é bacana, enganar o próximo não. Devemos endurecer como Che , sem perder a ternura – pois a ternura é nossa maior identidade. Essa sutileza – a fronteira entre tolerância e impunidade – é que precisamos entender. Aprender a punir quem precisa ser punido sem deixar de gostar de festa quem – taí nossa missão para os próximos sete anos. Não é  tarefa fácil – pois rebeldia e malandragem fazem parte de nossa identidade há cinco séculos.

Temos, pois, sete anos para aproveitar a oportunidade e transformar o Brasil. Não roubar, e não deixar roubar. Fiscalizar – e se indignar. Participar – e cobrar. São verbos bonitos hoje – mas chatos quando o tempo passa, dão trabalho. Se não aprendermos a conjugá-los, se deixarmos pra lá, se acharmos que é com os outros… é bem possível que tenhamos um belo evento esportivo daqui a sete anos – como tivemos em 2007. E isso, obviamente, será perder uma chance única.

Roda do Forte de Copacabana

É esse o pênalti que o Brasil precisa cobrar. Perdê-lo… será deixar passar o mais encilhado cavalo desta história tropical.

O Grande Pênalti“, por Gustavo Poli, in Globo.com

(http://colunas.globoesporte.com/gustavopoli)

* “Lei de Gérson”: regra segundo a qual se deve “levar vantagem em tudo“. A expressão foi criada a partir de comercial de cigarros da década de 70, no qual o então jogador da Seleção Brasileira de Futebol, Gérson, ao defender que o produto anunciado pelos concorrentes era melhor e mais barato que o dos concorrentes, afirmava: “Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem, você também”.

“Eu fico com a pureza da resposta das crianças…”

“… Eu Sei Que A Vida Podia Ser Bem Melhor… E Será!…”

Homem-Aranha

“Infeliz a Nação que precisa de heróis” (Bertold Brecht) x “O homem nasce bom e a Sociedade o corrompe” (J.J. Rousseau)…

Palmeira. Florianópolis. Santa Catarina. Brasil. Dia 08 de novembro de 2007. Lucilena Córdova, 36 anos, lava roupa no fundo da casa. Casa simples de uma família simples, do interior. No quartinho da pequenina Andrielle – bebê com menos de dois anos – tem início um incêndio, que passa desapercebido pela mãe.

Pela mãe, sim. Mas não por ele: o Homem-Aranha. Ao perceber a fumaça que saía do cômodo, entrou pela porta da frente; e, apesar de “ter muito fogo lá dentro“, “pulou lá dentro“, como só um herói pode fazer e “pegou ela” – a neném.

A “identidade secreta” do herói que afirmou “não ter sentido medo“, apesar do perigo que correu? Descobriu-se: Sr. Riquelme Uéslei Maciel dos Santos. Idade: 5 anos. Disfarce perfeito, não?

Seria “infeliz” a “Nação que precisa de heróis”? Depende. Depende do que entendemos por “heróis”. Se interpretamos essa palavra como sinônima de “salvador da Pátria”; aquele que limpa a sujeira dos outros e cujos atos são considerados “extraordinários”, Brecht estava certo. Infeliz porque se trata de uma Nação de gente ordinária que considera espantoso o que deveria ser o naturalmente esperado de qualquer cidadão.

Eu fico com Rousseau. O ser humano tem potencial de realizar-se e contribuir para a realização da Sociedade da qual faz parte. Basta que a chance de desenvolvê-lo seja-lhe concedida. Basta que tenha perspectivas. Basta que haja investimento sério em Educação. E que Educação seja compreendida como processo de formação do ser humano. O que abrangeria não só o ensino convencional. Mas a transmissão de valores. De Ética. O ensinar a questionar. A pensar. A criticar. A empreender. A transformar. Infeliz a Nação que depende de heróis esporádicos. Feliz a Nação formada de heróis. Sejam quais forem suas identidades secretas.

Eu fico com Gonzaguinha: “… Eu fico com a pureza da resposta das crianças…“. E a resposta de Riquelme sobre seu feito foi: “Eu sou o filho do Homem-Aranha“.

Eu também sou "filho do Homem-Aranha". E vocês?Que bom, moleque. Que você cresça. E sendo adulto, continue agindo como nossa infeliz Nação precisa. Enquanto ela precisar. Para que ela não mais precise. Até ela não mais precisar. Faça o que puder, você que já fez tanto, em tão pouco tempo. Faça qualquer coisa: nem que seja um mero blog…

- Fonte:

<http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI2063432-EI8139,00.html>

“O País tem remédio?! Ah! Você está de palhaçada!” – Doutores da Alegria

"Bem-aventurados os aflitos, pois serão consolados..."

Corrupção. Falta de decoro. Descumprimento da Lei. Impunidade. Desvio de verbas. Desigualdade social. Miséria. Ignorância. Intolerância. Uso privado da coisa pública. Populismo. Dependência. Tráfico de Influência. Violência. Máfias. Milícias. Tráfico: de drogas, de armas, de mulheres, de órgãos, de crianças…

Você larga o jornal, a revista. Desliga a TV, o computador, o rádio. Você larga e desliga-se do País. Da realidade à sua volta. Na vã esperança de que o desconhecimento dos fatos signifique seu desaparecimento. Partindo do falso pressuposto de que “essa realidade não foi criada e não é mantida graças à sua contribuição…

Se eu pudesse fazer algo…“. Mas você “não pode”. Ao menos é o que pensa. “Ora! O que uma pessoa comum poderia fazer para contrapor-se à essa realidade? Ao jogo de interesses? Ao risco de morte?

Se eu dissesse, você faria? Algo que pode ser feito por aqueles que discordam? Sem riscos, sem renúncias? Jura?! Lá vai:

Não omita-se. Ao omitir-se, você concorda tacitamente com o que lhe é proposto.

Não subestime sua capacidade. Um gari limpa várias ruas e, acredite, isso faz muita diferença.

A realidade social é o resultado da ação (e da omissão) de cada componente da Sociedade. As pessoas agem ou omitem-se de acordo com sua maneira de pensar. Logo, é a mentalidade predominante em uma Sociedade que a define.

Ouse pensar diferente da maioria e você não estará contribuindo.

Aja, em seu dia-a-dia, de forma coerente com esse pensamento e seu exemplo provará àqueles à sua volta que nem todos são como a Mídia descreve. E isso estimulará outros a reagir.

Você “tem suas limitações”? Todos temos! Mas, dentro delas, nada há que você possa fazer?

Desde a redemocratização do País e com a percepção, aqui e ali, de que Pequena Revolucionáriasomente quando cada um faz a sua parte é que tudo se encaixa (slogan do Metrô do Rio de Janeiro… Bonita frase, não?), pessoas que pensam assim, tem se reunido em grupos, ongs etc; e tem feito a diferença. E tem dado o exemplo. E tem contribuído, não só para combater o que não presta, mas para ajudar a construir uma realidade social melhor. Superior.

Eu sou um palhaço?

Claro que não! Eles são!

Doutores da Alegria

Segundo o que os mesmos explicam em seu site (endereço ao final), em 1986, um palhaço de Nova Iorque, “… apresentava-se numa comemoração numDoutores da Alegria: "O engraçado é que é sério" hospital daquela cidade, quando pediu para visitar as crianças internadas que não puderam participar do evento. Improvisando, substituiu as imagens da internação por outras alegres e engraçadas…“.

A partir dessa experiência espontânea, formou-se um grupo de artistas dispostos a “… levar alegria a crianças internadas…“, em hospitais da Cidade.

No ano de 1988, o brasileiro Wellington Nogueira passou a integrar a trupe norte-americana. Ao retornar, em 1991, dispôs-se a implementar no Brasil, trabalho semelhante. O que ocorria simultaneamente em outros Países “importadores” da idéia, como França e Alemanha.

Em setembro de 1991, no Hospital e Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, em São Paulo (hoje Hospital da Criança), teve início o trabalho.

Profissionalismo, Transparência e Simplicidade. Hoje, em 2009, o trabalho reúne inúmeros Doutores “Besteirologistas” (hahahaha) especializados em levar Alegria e Esperança para nossos futuros Cidadãos que além do auxílio imediato, gravam na memória que um lugar feliz é aquele formado por pessoas felizes.

Sendo Deus Amor, a Alegria é Amor em sua forma mais manipulável em favor dos outros…

Onde dois ou mais estiverem reunidos em Meu Nome, aí Estarei Eu…

Obs: os Doutores da Alegria atuam em dupla…

Fontes:

<http://www.doutoresdaalegria.com.br&gt;

<http://www.doutoresdaalegriaofilme.com.br&gt;

<http://pt.wikipedia.org/wiki/Doutores_da_Alegria&gt;

<http://thelma07.blogspot.com/2007/06/doutores-da-alegria.html&gt;

<http://vejasaopaulo.abril.com.br/revista/vejasp/edicoes/2047/m0151146.html&gt;

E ainda (vale a pena):

<http://pt.wikipedia.org/wiki/Patch_Adams&gt;

<http://images.google.com.br/images?hl=pt-BR&client=firefox-a&rls=org.mozilla:pt-BR:official&hs=gg3&q=fotos+dos+doutores+da+alegria&revid=871454690&resnum=0&um=1&ie=UTF-8&sa=X&oi=image_result_group&resnum=1&ct=title&gt;

<http://br.youtube.com/watch?v=oy2m2T8UA9A&gt;

<http://br.youtube.com/watch?v=SP9S5ZwILv0&gt;

<http://br.youtube.com/watch?v=ZF6tEQQP8wc&gt;


 

 

 

Meninos de Rua e a Pedagogia do Amor

Família PobreSr. Roberto Carlos Ramos e os "Irrecuperáveis"

Bebê, Roberto Carlos Ramos morou com a Mãe e dez irmãos, em Belo Horizonte, MG.

Família numerosa como quase todas as de baixa renda – vítimas da ausência de uma política A imagem fala por si...séria de planejamento familiar; em grande parte, graças à intervenção de Igrejas para as quais “o sexo desvinculado da procriação é pecado” (o Estado Brasileiro não é laico?) e à inépcia estatal em assegurar o acesso a meios contraceptivos.

Política Pública: “Bem-Estar” (?!) do Menor

Tinha apenas dois anos, quando a “FEBEM” – Fundação Estadual para oMenor Davi x Governo Golias Bem-Estar do Menor – de Minas Gerais foi criada e adquiriu fama, como uma espécie de “colégio para crianças pobres“. Sob o lema: “Disciplina e Educação para Crianças Carentes“, parecia uma boa opção. Roberto Carlos foi para lá, aos seis anos de idade.

Meninos NA RuaA partir de então, conheceu o desprezo e a violência, alternadamente, na FEBEM (e em doze outras instituições do gênero) e nas ruas.

Em dois anos, fugi doze vezes da FEBEM“, Dá Tempo...relata o ex-interno. De fato, Ramos adquiriu fama como um dos campeões de fuga: passou por lá 133 vezes, até a adolescência.

Beto Pivete

Menores e BanditismoNas ruas, o ex-menor abandonado “Beto Pivete” era consumidor de cola de sapateiro e maconha. Dos seis aos treze anos de idade, aprendeu, nesse meio, a roubar para manter o vício nas drogas: “Roubávamos jóias e dinheiro, para comprar drogas“, conta.

Para ser admitido em rodinhas de usuários, submeteu-se a testes que envolviam, entre outrasCriança é prioridade para a Lei; mas não para o Governo coisas, a ingestão de fezes dos colegas. Somente abandonou o bando, ao ser violentado: “Levei setenta e dois pontos pelo corpo“, recorda-se.

Teve passagem pela Unidade Antônio Carlos "Irrecuperável"...(interior do Estado), a mais violenta, em pleno período de Ditadura Militar. Neste local sofreu tapas na cara, sessões de eletrochoque e tortura no “pau-de-arara“. Na FEBEM, era identificado, não nominalmente, mas através do número: 374.

Pedagogia do Amor

No ano de 1979, a reviravolta: quando de seu 134o ingresso na FEBEM, "Amar ao Próximo Como a Si Mesmo"visitava a instituição a Pedagoga francesa Marguerit Duvas. Indignada com a ficha que qualificava o menor como “irrecuperável“, não o"Fórmula Mágica" discriminou. Apesar de enfrentar a resistência de Roberto, nos primeiros meses, não hesitou, adotando-o e – após ensinar-lhe o idioma – levando-o para a França.

Na Europa, passou da adolescência para a idade adulta e descobriu a arte de contar histórias.

No retorno ao Brasil, aos 19 anos, prestou vestibular para Pedagogia, FEBEM, por Angelique cursou em São Paulo. Durante o Curso, estagiou em sua antiga “casa“: “Voltei para a FEBEM como profissional. Provei que não era irrecuperável“…

A “Corrente do Bem

Marguerit fez passagem em 1986. Roberto Carlos Ramos decidiu, então, seguir-lhe os passos: "... Eu gosto de meninos e meninas..."acolheu o menino Moisés, nove anos, outro “irrecuperável” da FEBEM. Ele foi apenas o primeiro dos mais de dez ex-internos que, atualmente, moram com o Pedagogo: “Todos estudam e trabalham“, diz, com orgulho.

Os “irrecuperáveis” – meninos e meninas – estão sendo reinseridos na Sociedade.

Reconhecimento

Nos EUA, Roberto foi eleito, em 2001, um dos maiores contadores de"Irrecuperável"? histórias. É Mestre em Educação, pela Unicamp; Pós-Graduado em Literatura Infantil, pela PUC-MG e membro da “Associação Internacional dos Contadores de Histórias e Valorizadores da Expressão Oral Mundial“, com sede em Marselha, na França.

"A Arte de Construir Cidadãos"É autor do livroPedagogia do Amor“, publicado pela Editora Leitura, de Belo Horizonte, em 2004.

Roberto Carlos Ramos, o ex-“Beto Pivete“, conta

"Pra entender o Erê..."

"Pra entender o Erê..."

a experiência de sua Saga, hoje em dia, em Escolas e Empresas, que lhe pagam um cachê suficiente para auxiliá-lo na renda familiar.

Há histórias que dão prazer em contar…

Fontes

<http://www.mixx.com.br/noticias/ler.html?id_sec=94&id_noti=3772&gt;

<http://www.zaz.com.br/istoegente/51/reportagem/rep_chanceampliada.htm&gt;

“Até Quando?”

Não adianta olhar pro Céu, com muita fé e pouca luta/Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve/Você pode e Gabriel, O Pensadorvocê deve, pode crer

Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver/Se liga aí que te botaram numa Cruz e só porque Jesus sofreu/Não quer dizer que você tenha que sofrer

Até quando você vai ficar usando rédea, rindo da própria tragédia?/Até quando você vai ficar usando rédea?/ Pobre, rico ou classe média?/ Até quando você vai levar cascudo, mudo/Muda, muda essa postura/ Até quando você vai ficando mudo?/ Muda que o medo é um modo de fazer censura…

RevolucionáriosAté quando você vai levando porrada, porrada?/ Até quando vai ficar sem fazer nada?/ Até quando você vai levando, porrada, porrada?? Até quando vai ser saco de pancada?

Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente/ Seu filho sem escola, seu velho tá sem dente/Você tenta ser contente, não vê que é revoltante/Você tá sem emprego e sua filha tá gestante/ Você se faz de surdo, não vê que é absurdo/ Você, que é inocente, foi preso em flagrante/ É tudo flagrante, é tudo flagrante…

A “Polícia” matou o estudante… Falou que era bandido, chamou de traficante!/ A “Justiça” prendeu o pé-rapado, soltou o deputado e absolveu os PMs de Vigário!Planos Revolucionários (secretos) para um País melhor

A programação existe pra manter você na frente, na frente da TV/ Que é pra te “entreter”/ Que é pra você não ver que o programado é você!

Acordo, não tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar/ O cara me pede diploma, não tenho diploma, não pude estudar/ E querem que eu seja educado, que eu ande arrumado, que eu saiba falar/ Aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo me dá!

Consigo emprego, começo o emprego, me mato de tanto ralar/ Acordo bem cedo, não tenho sossego, nem tempo pra raciocinar/ Não peço arrego mas, na hora que chego, só fico no mesmo lugar/Brinquedo que o filho me pede, não tenho dinheiro pra dar…

Escola, esmola/ Favela, cadeia/ “Sem-Terra? Enterra!”/ “Sem-Renda? Se renda!”/ Não! Não!

"Em Caso de Revolução, Quebre o Vidro"Muda, que quando a gente muda, o mundo muda com a gente/ A gente muda o mundo com a mudança da mente/E quando a gente muda, a gente anda pra frente/ E quando a gente manda, ninguém manda na gente!Conscientização/Educação + Mobilização Civil = Revolução

Na mudança de Atitude, não há mal que não se mude, nem doença sem cura/ Na mudança de postura, a gente fica mais seguro/ Na mudança do Presente, a gente molda o Futuro…

Até quando você vai ficar sem fazer nada? Até quando você vai ficar de saco-de-pancada?

Até Quando” – Gabriel, O Pensador

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