O Mais Brasileiro dos Pintores

Di Cavalcanti

Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo, o “Di Cavalcanti” (Rio de Janeiro, RJ, 06/09/1897 – Rio de Janeiro, RJ, 26/10/1976), foi, além de Caricaturista e Ilustrador, o maior Pintor Brasileiro do século XX.

Estréia

Estreou como desenhista, no “Salão dos Humoristas“, em 1916.

Mario de Andrade, por Di CavalcantiVanguardista Nacional

Em 1917, transferiu-se para São Paulo, onde conviveu, entreAnita Malfatti: Auto-Retrato outros, com Mário e Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e Anita Malfati.

Idealizou a “Semana de Arte Moderna de 1922“, realizada no Teatro Municipal de São Paulo. Sendo época de inúmeras novidades (carro, fotografia, cinema mudo…), a vida Vários dos Artistas da Semana de Arte Moderna de 1922das pessoas transformava-se rapidamente. Na Poesia e na Pintura, contudo,Di desenhou o programa e os convites da Mostra ainda se observavam as antigas regras – em sua maioria, francesas – e estética importada. O evento foi, assim, uma espécie de festival, em que os Modernistas expuseram seus trabalhos, conferindo identidade própria à Arte Di Cavalcanti desenhou o programa e os convites da MostraBrasileira. Além das telas, “Di” contribuiu com o desenho do programa e dos convites da Mostra."Abaporu", de Tarsila do Amaral

Vanguardista Internacional

Em 1923, indo para a Europa, a estudo, conheceu Grandes Mestres da Pintura, como Picasso e Matisse. Teve também contacto com a obra de Gauguin, "Laberintos", obra representativa do Muralismo MexicanoDelacroix e dos Muralistas mexicanos. Deparou-se com o “Cubismo“, de Picasso; com o “Expressionismo” e com outras correntes"Odalisque", Matisse artísticas de Vanguarda: o que concorreu para aumentar sua disposição em quebrar paradigmas e inovar na Arte. Após dois anos em Paris, retornou ao Brasil, em 1925, marcado pela temática social.

"Guernica", Picasso (leiam sobre a Guerra Civil Espanhola)

Destaque para o fato de que em 1921, foi convidado para ilustrar o livro"Balada do Cárcere de Reading", de Oscar WildeBalada do Cárcere de Reading“, de Oscar Wilde, um dos mais renomados artistas da época.

O Retorno do Artista de Vanguarda e o Engajamento do Humanista

Em seu retorno ao Brasil, Di Cavalcanti fez os painéis de decoração do Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro.

Em 1928, formalizou a tendência afetiva que o inclinava às questões Obra retratando passeata comunistasociais:

Abri o portão de uma velha casa de cômodos… Ali, morava preto Salvador. Tinha ido à Rússia. Éramos umas quinze pessoas ouvindo: operários"Trabalhadores", desenho de Di Cavalcanti gráficos, carpinteiros, duas mulheres… E foi naquela noite que assinei meu nome no Partido Comunista“.

Ao longo da década de 30, sua obra dedica-se à "Mulheres Protestando", Di Cavalcantidenúncia da corrupção e da desordem política no Brasil, bem como à abordagem dos aspectos sociais do País. A primeira temática aparece em seus desenhos. A segunda, em suas pinturas."Baile Popular", Di Cavalcanti Retratou temas nacionais e populares, como "Pescadores", Di Cavalcantifavelas, operários, soldados, marinheiros, mulheres e festividades.

Era uma profunda e doida vida de artista a minha vida naqueles anos que precederam"Casamento na Roça", Di Cavalcanti Mundo em Transformação no início do séc.XX: o Carroa Revolução de 30. Vida de artista possuído de uma grande inquietação humana dos problemas sociais” (1971).

Mundo em Transformação: Cinema Mudo

Clubes, Salões, Exposições Etc.

Opunha-se à Abstração.

Quebra de Paradigmas (abaixo, obra de Picasso)Em 1931, participou do “Salão Revolucionário” da Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, onde foram expostas obras, tanto de Acadêmicos, quanto de Modernos.Cartaz da "Revolução Constitucionalista de 1932"

Em 1932, fundou o “Clube dos Artistas Modernos“, associação comprometida com as questões relativas ao Ser Humano, à Arte e à Sociedade. Durante a “Revolução Constitucionalista“, é preso pela primeira vez.

"Liberdade", Delacroix"Mulheres na Janela", Di Cavalcanti

Em 1933, participa da “Segunda Exposição de Arte Moderna“, da SPAM.

"Índios", Di CavalcantiEntre 1935 e 1940, morou na Europa, com sua então"Mulata em Rua Vermelha", Di Cavalcanti companheira, Noêmia Mourão. Apesar da ausência do País, seu trabalho figurou no Segundo (1938) e no Terceiro (1939) “Salões de Maio“.

Para Mário Pedrosa, militante político de esquerda e crítico de arte:

Sendo o mais brasileiro dos artistas, foi o primeiro a sentir que entre oMario Pedrosa "Bordel", Di Cavalcantiinterior, a roça, o sertão e a avenida, o “centro civilizado”, havia uma zona de mediação – o subúrbio. No subúrbio vive o verdadeiro autóctone da grande cidade. Já não é caipira. Mas ainda"Colonas", Di Cavalcanti não é cosmopolita. O que já se passa é autêntico, de origem e de sensibilidade…“.

Além deste conteúdo pioneiro nas Artes Plásticas, reside em Di Cavalcanti, o lirismo de representar as classes populares, através de sua Dignidade e Beleza e não de sua miséria.

"Cenas de Garimpo", Di Cavalcanti

Fachada do Teatro Cultura Artística, por Di CavalcantiEm 1950, projetou o mosaico da fachada do Teatro Cultura Artísticaa maior obra do Artista, com 48 m de largura, por 8 m de altura.Um dos Painéis de Di Cavalcanti

Em 1951, participa da “Primeira Bienal de São Paulo“, como “Artista Convidado“. Participa, ainda, de outras Bienais, inclusive estrangeiras.

Versatilidade e Prêmios

Ilustração de Di CavalcantiDi Cavalcanti era um Artista de muitas habilidades. Além de quadros e ilustrações para revistas, fez desenhos para jóias,"Roda", Di Cavalcanti tapetes e painéis.

O Pintor recebeu prêmios importantes, como: a “Medalha de Colar, por Di CavalcantiOuro“, na “Exposição de Paris” (1937); a “Medalha de Ouro“, na “II Bienal Interamericana do México” (1960); e o título de “Melhor Pintor Brasileiro“, na “Segunda Bienal de São Paulo” (1953)."Paquetá", Di Cavalcanti

Di Cavalcanti, Segundo o Próprio

Cartaz da 1a Bienal de São PauloFui de esquerda. Mas meu marxismo era mais um sentimento humano e emotivo do que partidário“.

Certo é que esse engajamento, ainda que no plano da idealidade, refletiu-se com riqueza em sua Obra.

"Samba", Di Cavalcanti

Centenário

Em 1997, ano do centenário de seu nascimento, diversas exposições comemorativas e retrospectivas de seu trabalho, foram organizadas. Dentre as quais:

– “Di, Meu Brasil Brasileiro“, pelo Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM);

– “Di Cavalcanti, 100 Anos“, pelo Museu de Arte Brasileira de São Paulo (FAAP) e outras.

Fontes

<http://74.125.47.132/search?q=cache:6pLLczZcBiEJ:www.macvirtual.usp.br/mac/templates/projetos/seculoxx/modulo2/modernidade/eixo/cam/artistas/di.html+Di+Cavalcanti+social&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=2&gl=br&lr=lang_pt&client=firefox-a&gt;

<http://www.macvirtual.usp.br/mac/templates/projetos/seculoxx/modulo2/modernidade/eixo/cam/artistas/di.html&gt;

Artistas, como os Pintores, são vistos, geralmente, como gente de elite, despreocupada e entregue a devaneios e abstrações. Enfim, “alienados”. Não é o caso do Cidadão Brasileiro apresentado acima. Engajamento não tem classe, pois não depende de quanto dinheiro, mas de quanto caráter e sensibilidade se possui. Além disso, seja qual for a profissão ou atividade, sempre há a possibilidade, caso queiramos, de colocá-las a serviço do Bem Comum, o que permite a realização, não só individual, mas também do grupo social do qual fazemos parte e de onde retiramos o necessário ao nosso desenvolvimento.

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