Polícia Exemplar

À direita, o Sargento Maurílio

Rondônia. Norte do Brasil. Setembro de 2009.

O Sargento da Polícia Militar do Estado, Maurílio, percebe uma bolsa próximo à ponte no final da rua Jamari. Nesta, mais de R$ 4 mil, além de documentos. Imediatamente,  contacta a Central de Operações do 3º Batalhão, dando conta do ocorrido. Permanece no local até a chegada da viatura que faria as necessárias diligências para encontrar o dono do dinheiro.

Não é ficção.PM de Rondônia, em Desfile de 7 de setembro

O dono do dinheiro tratava-se de Hidelberto Pinto de Sousa, chefe de Posto da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) que, ao cruzar uma ponte, deixou cair a bolsa, que levava amarrada à garupa de sua moto, contendo R$4.350,35.

Segundo Hidelberto, o dinheiro pertencia aos índios aposentados da aldeia Tubarão, próxima à cidade de Chupinguaia. Seria utilizado para realizar o pagamento mensal em um mercado naquela cidade, onde os índios fazem compras.

Segundo o Servidor da FUNAI: “o gesto do sargento foi digno de uma pessoa honesta e de caráter indubitável, pois nos dias de hoje é difícil encontrar pessoas que ainda possuem o amor pelo próximo para agir com tanta dignidade ao devolver mais de R$ 4 mil encontrado em um setor chacareiro”.

O Tenente-Coronel PM João Moreira Bonfim realizou o encontro entre  o Sargento Maurílio e o Servidor Hidelberto, quando este último parabenizou a conduta do policial e elogiou o oficial pela tropa idônea que comanda.

Em recente pesquisa local, acerca da credibilidade da população na polícia, e o resultado foi positivo, citando que os policiais do 3º BPM são cordiais e aplicam a Filosofia da Polícia Comunitária.


A Polícia Militar é instituição constantemente alvo de críticas por conta dos incontáveis episódios que apontam para corrupção na corporação, despreparo e truculência por parte de seus compenentes e falta de credibilidade junto à Sociedade.

08_MHG_rio_professores

É fundamental não perder de vista que o País é continental e  que cada Região apresenta uma realidade diferente. Tais acusações, todavia, são comuns nas grandes Metrópoles brasileiras. Recentemente, no Rio de Janeiro, um soldado da PM sacou e apontou arma para manifestante, durante protesto de Professores, em frente à Assembléia Legislativa. Operações nas favelas, não raro, vitimam inocentes, sobretudo crianças. Denúncias de abuso de poder, participação em grupos de extermínio e formação de quadrilha são constantes. E é comum que o cidadão evite a Polícia tanto quanto o faz com os bandidos. Justamente por não ver entre estes muita diferença, com exceção ao uso da farda.


São fatos. Por outro lado, exemplos como o descrito acima, fazem pensar. É necessário distinguir entre a instituição e os homens que a integram. E, dentre estes, entre os bons e os maus Policiais.



Para definir o que é (ou o que deve ser) a Polícia Militar, devemos verificar quais as suas atribuições legais. De acordo com o Art. 144, § 5o da Constituição Federal: “às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública”.


Além dessas e do combate ao crime organizado, há outras, dificilmente associadas à PM:

  1. atendimento direto à população, ajudando no transporte de doentes, na orientação de pessoas em dificuldades, na intervenção de disputas domésticas, no encaminhamento da população carente aos órgãos responsáveis por problemas de saneamento, habitação;
  2. preservação da flora, da fauna e do meio ambiente, através de batalhão especializado;
  3. apoio a órgãos públicos, estaduais e municipais, em atividades como ações junto à população de rua e trato com crianças e adolescentes em situação de risco social etc…

Uma instituição com essa missão parece inestimável.

PM de MG

O que justifica, no entanto, tamanha distância entre teoria e prática? Entre aquilo a que se propõe a instituição e sua ação na prática? Apesar da censura, inúmeros blogs de Policiais denunciam as péssimas condições de trabalho. A Imprensa e outros órgãos públicos ou privados que se dedicam à questão, costumam apontar a falta de preparo e a inadequação das políticas de segurança pública, geralmente pautadas pelo enfrentamento e pela cultura da morte


Para o 1o Tenente da PM do Estado de São Paulo, Martinho de Moraes Netto, sobre violência e impunidade na PM e, a propósito do Relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, deve-se admitir que: “… cada organização policial é peculiar da comunidade em que está inserida, não se podendo avaliar o instituto “Polícia Militar” pela somatória de dados das diversas milícias estaduais, nem comparar o nosso modelo de polícia com o de outros países… A atividade de polícia está… ligada às condições socio-econômicas-culturais de… onde se desenvolve…“.

Para o oficial, compreender o problema passa por analisar, em cada Região, quem é o Policial; quem são os cidadãos destinatários da atividade e; quais os delitos comuns no local. O Policial será, em regra, alguém da comunidade, com os mesmos hábitos e costumes. Quanto ao cidadão, o mesmo apresenta umperfil diferente, de acordo com o Estado. Os delitos também mudam, de acordo com a Região e com o segmento social.

Ação policial em favela...

A despeito da pertinência da colocação, parece ser um problema comum à Polícia em cada Estado, a falta de investimento. Em sentido amplo. Falta de investimento na Polícia e no Policial. Salários ridículos, falta de equipamento, baixa tecnologia, falta de planejamento estratégico, exposição de si e da família, falta de auto-estima, distanciamento da população e péssimos exemplo/influência da autoridade superior (indicações politiqueiras para cargos de comando e corrupção) comprometem e tornam vulneráveis a Polícia e os Policiais. O resultado é a presença de marginais em suas fileiras e o descrédito junto à população.

É possível

Cabe aqui uma reflexão quanto à necessidade de contarmos com uma Polícia de verdade. Capacitada, eficiente, confiável e exemplar. À inutilidade de simplesmente desistirmos da instituição e, principalmente, ao dever de pesquisar, debater, sugerir e cobrar medidas que contribuam para prestigiar e fortalecer o bom Policial e banir o bandido-fardado…

  1. http://www.pm.ro.gov.br, Site da PMRO, “Sargento dá exemplo de honestidade”;
  2. http://www.policiamilitar.rj.gov.br, Site da PMRJ;
  3. http://www.comunidadesegura.org/fr/MATERIA-Piso-unico-e-melhores-condicoes-de-trabalho;
  4. http://celprpaul.blogspot.com/2009/10/policial-militar-assassinado-o-rio-de.html;
  5. http://www.hottopos.com/videtur4/policia.htm, “Violência e Impunidade da Polícia Militar – Críticas e Sugestões”;
  6. http://portalimprensa.com.br/portal/ultimas_noticias/2009/10/01/imprensa31148.shtml;
  7. http://noticias.uol.com.br/ultnot/agencia/2009/04/10/ult4469u39821.jhtm;
  8. http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI2998067-EI6578,00-Rio+vive+situacao+incontrolavel+afirma+Biscaia.html
  9. http://extra.globo.com/geral/casodepolicia/video/2009/14295/

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